A possibilidade de re-inaugurarmos o mundo, compondo-o com notas melódicas e poéticas, como faz o artista com sua composição religio-musical (entendo o "religio" como o que une o humano ao seu profundo ser próprio), é o que nos impulsiona ao trabalho possível de pensador-poeta e poeta-pensador. Às vezes, nos ocupamos demasiado na elaboração científica (o que é científico?) de nossas saídas para a transformação necessitada de sempre outra transformação e esquecemo-nos, ao fim, de sentir o prazer do caminho ("A beleza está é no caminho", como bem afirma Gumarães Rosa) rumo à casa (Cada ponto de chegada, na subida da montanha, deve ser ponto de partida, como bem afirma Nietszche). A vida pede poesia e utopia.
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